Melissa Ohana Martins e Leonardo Fernandes
“Temos as condições e uma imensa necessidade de dar um grande salto na qualidade de nosso ensino”- frase pronunciada pela presidente Dilma Rousseff em uma de suas propagandas eleitorais.
Logo após sua vitória nas eleições de 2010, a atual presidenta resolve “cumprir” a sua palavra cortando 3,5 bilhões de reais do orçamento destinado à educação pública no Brasil. Em tempos em que se faz clara a necessidade do investimento na educação para gerar crescimento em um país, tal corte se mostra um desrespeito do governo com a população em geral, e ainda torna cômico o novo logotipo do Governo Federal que afirma que “país rico é país sem pobreza”. Devemos nos perguntar: em que medida a atitude de realizar cortes na área educacional diminuiria a pobreza no Brasil? Ou, então, o instrumento utilizado pelo governo para erradicar a pobreza seria o criado pelo ex-presidente Lula, o Bolsa Família? Acreditamos que não, pois este está longe de erradicar ou sequer minimizar a pobreza, servindo apenas para esconder aquilo que ninguém quer ver.
Em meio a essa onda de cortes orçamentários, servidores da rede federal de ensino, no dia 1° de agosto de 2011, deflagraram greve. Entre seus principais objetivos, estão o reajuste salarial de 14,67% e a medida que propõe a destinação de 10% do PIB para a educação pública. No atual contexto da luta sindical dos professores, nos surpreendemos de maneira positiva com o total apoio à greve por parte dos alunos do Instituto Federal Fluminense -
campus Cabo Frio, que nos faz acreditar que os jovens brasileiros estão se tornando cada vez menos alienados e mais integrados com as situações sociais do país, fazendo jus ao nosso Hino Nacional quando diz: “verás que um filho teu não foge a luta”.
Porém, no final de setembro, fomos informados de que Guarus, Bom Jesus, Macaé e Itaperuna decidiram-se pelo término da greve em seus
campi, embora em Campos dos Goytacazes, Cabo Frio e Quissamã ela tenha sido mantida. A decisão dos
campi desertores fez com que nos perguntássemos: primeiro, teria a destinação de 10% do PIB para a educação pública, um dos principais pontos da pauta de reivindicações dos servidores, sido por eles esquecida no momento em que estes saíram da greve, acenando pela assinatura do acordo com o governo? Após tanto tempo de greve, por que estes
campi decidiriam voltar às atividades ao terem conseguido apenas 4% de ajuste salarial, um “ganho”, assim mesmo, ainda não garantido, uma vez que só seria obtido se toda a categoria, a nível nacional, resolvesse sair? Seria justo com os outros
campi e Institutos encerrar a greve a nível local sem se ter alcançado nem um terço das reivindicações propostas, deixando o resto do movimento ainda mais vulnerável?
Em meio a este cenário, no dia 7 de outubro fomos surpreendentemente informados de que o
campus Centro do Instituto Federal Fluminense, localizado em Campos dos Goytacazes, resolveu também dar término à greve, acompanhando os demais
campi. O movimento, que já estava frágil, se tornou ainda mais enfraquecido. Mobilizar a sociedade é primordial para o sucesso de uma greve, especialmente no caso de uma de tal porte, porém o mais provável é que a desmobilização, fenômeno decorrente desde o início deste movimento e que vem incomodando a todos nós, alunos, se agrave ainda mais com a saída do
campus Centro. Torna-se claro que ela representa uma diminuição significativa da força do movimento grevista na região, este que já vinha fraco principalmente devido à falta de consenso entre os próprios
campi do Instituto quanto aos assuntos relativos à greve.
No dia 10 de outubro, contrariando todas as expectativas, o
campus Cabo Frio decide manter-se em greve mesmo sem o apoio do
campus Centro. Concordamos que a causa da permanência, em si, é um sinônimo de luta, contudo a situação em que se encontra a greve tem sido sinônimo claro de decadência. Caberá ao
campus Cabo Frio, único do estado do Rio de Janeiro a permanecer em greve, buscar condições para fortalecer um movimento que se mostra, até agora, deploravelmente fraco.
Ainda que soe clichê, a frase “a união faz a força” mostra-se primordial nesta situação. Afinal, os benefícios gerados por tamanhos esforços dos servidores de todo o Brasil beneficiarão a educação pública de maneira geral, e não apenas os alunos e servidores da rede federal de ensino técnico-profissionalizante. O que não podemos é nos contentar com propostas diminuídas como a dos 4% de ajuste salarial, verdadeira “peneira pra cobrir o sol”, que nos foi dada apenas para fim de desmobilização e não mudará em nada o
status quo do país.
Precisamos fazer com que, no mínimo, 10% do PIB seja destinado à educação pública, bandeira a ser levantada por todos aqueles que desejem mudanças efetivas nos rumos do Brasil. Queremos mudanças que verdadeiramente surtam efeito na melhoria e democratização da educação pública, e se tivermos que lutar cada vez mais para haver tais mudanças, sem dúvidas lutaremos.
A questão que fica em aberto é: o que conseguiremos sozinhos?
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*Autor desconhecido