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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Diversão de baixa tecnologia


Bruno José Aragão Pereira

Em meio à fulgurante galáxia de jogos eletrônicos e outros recursos tecnológicos que pululam a olhos vistos na atualidade, é motivo de surpresa quando ainda vemos jovens se deterem por mais de cinco minutos diante de um jogo de tabuleiro, principalmente quando este aparenta ter sido feito no fundo do quintal, com sobras de madeira. No entanto, quem tem andado pela nossa escola nas últimas semanas deve certamente ter se surpreendido com o fenômeno do dedobol: um dos muitos nomes do jogo de tabuleiro que está virando uma coqueluche entre os estudantes daqui.

À primeira vista, o dito jogo não passa de um caixotinho crivado de pregos. Mas a disposição dos pregos no tabuleiro e as marcações à caneta aos poucos nos trazem à memória um campo de futebol. Quando tem início a partida, petelecos e mais petelecos fazem uma moeda atravessar o tabuleiro de um lado para outro, ricocheteando nos pregos ali fixados. É nesse momento que se opera o “milagre” (que enfim não tem nada de milagroso): o que falta em recursos tecnológicos ao jogo acaba preenchido pela imaginação dos próprios jogadores. E caixote, pregos e moeda transfiguram-se em uma disputada partida de futebol, com direito a torcida, catimba e gol de placa. Basta observar uma dessas partidas por alguns instantes para testemunhar tal prodígio.

Para quem até agora se via limitado a partidas de baralho para se divertir, o dedobol surge como uma alternativa barata, criativa e integradora, envolvendo estudantes de diferentes idades, turmas e turnos, além de professores e servidores. Quem reclamava até então dos maus auspícios das cartas deverá simpatizar logo com o humilde joguinho, que pode ser considerado o “primo pobre” do futebol de botão.

Mas o interessante mesmo do dedobol não é o jogo em si, e sim o fenômeno que ele engendra e de que é prova. Embora nos encontremos em meio à “Revolução Telemática”, às vésperas da web 3.0, com tantos recursos à nossa disposição, não podemos perder de vista que o principal recurso de que cada um de nós dispõe é a nossa própria criatividade, instrumento poderosíssimo quando aliado à vontade de tentar, de fazer e de realizar. Em um Instituto Tecnológico, esta lição é primordial.           

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