Bruno
José Aragão Pereira
Em meio à fulgurante galáxia de jogos
eletrônicos e outros recursos tecnológicos que pululam a olhos vistos na
atualidade, é motivo de surpresa quando ainda vemos jovens se deterem por mais
de cinco minutos diante de um jogo de tabuleiro, principalmente quando este aparenta
ter sido feito no fundo do quintal, com sobras de madeira. No entanto, quem tem
andado pela nossa escola nas últimas semanas deve certamente ter se surpreendido
com o fenômeno do dedobol: um dos muitos nomes do jogo de tabuleiro que está
virando uma coqueluche entre os estudantes daqui.
À primeira vista, o dito jogo não
passa de um caixotinho crivado de pregos. Mas a disposição dos pregos no
tabuleiro e as marcações à caneta aos poucos nos trazem à memória um campo de
futebol. Quando tem início a partida, petelecos e mais petelecos fazem uma moeda
atravessar o tabuleiro de um lado para outro, ricocheteando nos pregos ali
fixados. É nesse momento que se opera o “milagre” (que enfim não tem nada de
milagroso): o que falta em recursos tecnológicos ao jogo acaba preenchido pela
imaginação dos próprios jogadores. E caixote, pregos e moeda transfiguram-se em
uma disputada partida de futebol, com direito a torcida, catimba e gol de
placa. Basta observar uma dessas partidas por alguns instantes para testemunhar
tal prodígio.
Para quem até agora se via limitado
a partidas de baralho para se divertir, o dedobol surge como uma alternativa
barata, criativa e integradora, envolvendo estudantes de diferentes idades,
turmas e turnos, além de professores e servidores. Quem reclamava até então dos
maus auspícios das cartas deverá simpatizar logo com o humilde joguinho, que
pode ser considerado o “primo pobre” do futebol de botão.
Mas o interessante mesmo do dedobol
não é o jogo em si, e sim o fenômeno que ele engendra e de que é prova. Embora
nos encontremos em meio à “Revolução Telemática”, às vésperas da web 3.0, com tantos recursos à nossa
disposição, não podemos perder de vista que o principal recurso de que cada um
de nós dispõe é a nossa própria criatividade, instrumento poderosíssimo quando
aliado à vontade de tentar, de fazer e de realizar. Em um Instituto Tecnológico,
esta lição é primordial.
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