Antes
de mais nada, temos que entender o que é um movimento: segundo Isaac Newton,
movimento está relacionado ao distanciamento entre dois corpos quando suas
posições são diferentes em um mesmo intervalo de tempo, ou seja, um movimento
só existe mediante a existência de pontos referenciais. Um exemplo fantástico é
o “movimento”
dos servidores federais. Se tomarmos como ponto referencial o sindicato
(SINASEFE), veremos que os servidores – embora não a maioria – estão em
movimento, porque, ao que tudo indica, suas “posições” são totalmente
diferentes. Já se nos arriscarmos a uma análise do SINASEFE em relação ao
governo, podemos dizer que um está em repouso em relação ao outro, pois as suas
“posições” são idênticas no decurso do tempo – ou, na verdade, foram se
igualando...
Podemos
também verificar outro ponto importante: a velocidade. A velocidade é a
grandeza física que mede quanto um corpo variou de posição em um determinado
intervalo de tempo, fazendo-nos ter a noção de rapidez do movimento. A partir
disso, conclui-se que o “movimento” da greve não está tão rápido, porque sua
posição em relação ao SINASEFE (lembrando sempre do nosso ponto referencial)
muda pouco em um intervalo muito grande de tempo. Faz-se necessária a alusão a
mais um conceito físico, chamado centro de massa, a partir do qual
compreendemos que toda a massa de um corpo estudado se concentra em um único
ponto dele. Assim, vê-se que ainda que uns poucos servidores estejam engajados
no movimento, o centro de massa deste “corpo” distancia-se lentamente de seu
referencial. “Existem coisas mais importantes para o
governo se preocupar” ou “greve é
uma forma ultrapassada de reivindicação” são comentários que
evidenciam bem o nível de união da categoria. Às vezes, o “corpo da greve”
tenta até concentrar em si uma massa maior, convidando cada vez mais alunos
para integrarem o movimento, mas, infelizmente, essa atitude não altera ou
ameniza a falta de compromisso demonstrada justamente por aqueles que seriam
mais beneficiados com o seu sucesso.
Podemos
perceber com todos estes acontecimentos uma lei importantíssima de Newton: todo
corpo em repouso ou movimento permanece em seu estado até que uma FORÇA
resultante atue, a favor ou contrariamente, sobre ele. Onde está a força
necessária para que esse movimento avance? O que está acontecendo? Newton foi
ainda mais genial ao enxergar que, dessa forma, quando um corpo está em
movimento e uma força atua contrariamente sobre ele, como, por exemplo, uma
força de atrito, o corpo vai aos poucos entrando em estado de repouso. Não é
exatamente isso o que tem acontecido com nosso movimento de greve?
Para
acabar com o estado de inércia do governo, existem ainda muitas coisas a serem
feitas, e cabe ao SINASEFE atrair, agregar e concentrar as massas, dando mais
corpo ao movimento. Para isso, a comunicação é fundamental, pois apenas ela
poderá elevar a velocidade do movimento. Em meio à era digital, não conseguir
se organizar ou ao menos transmitir as informações necessárias é um vexame.
Por fim, trago apenas mais um conceito físico para auxiliar a nossa reflexão. A aceleração – embora, no nosso caso, talvez fosse mais apropriado referir-se a este fenômeno como desaceleração - é importantíssima para dar “vida” a um movimento. Quando há aceleração, significa que há força, mas para isso ela deve ser positiva, fazendo com que a força resultante seja a favor do movimento. Quando a aceleração é negativa significa que temos uma força de resistência maior que a força favorável a ele. Uma aceleração negativa, contrária, acarreta exatamente no que tem acontecido: o movimento vai, lentamente, se esvaziando.
Poderemos, agora, chegar a uma conclusão
sobre qual é a força responsável pela estagnação do movimento: o famigerado
atrito, que nada mais é senão a força de resistência que vem do próprio corpo e
é contrária ao seu próprio movimento.
Prazer, SINASEFE.
2 comentários:
Parabéns Diogo, texto muito criativo e demonstra realmente o que vem acontencendo.
Belo texto, abração!
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