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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

“A riqueza de um país depende da educação de seu povo”*

Melissa Ohana Martins e Leonardo Fernandes

“Temos as condições e uma imensa necessidade de dar um grande salto na qualidade de nosso ensino”- frase pronunciada pela presidente Dilma Rousseff em uma de suas propagandas eleitorais.

Logo após sua vitória nas eleições de 2010, a atual presidenta resolve “cumprir” a sua palavra cortando 3,5 bilhões de reais do orçamento destinado à educação pública no Brasil. Em tempos em que se faz clara a necessidade do investimento na educação para gerar crescimento em um país, tal corte se mostra um desrespeito do governo com a população em geral, e ainda torna cômico o novo logotipo do Governo Federal que afirma que “país rico é país sem pobreza”. Devemos nos perguntar: em que medida a atitude de realizar cortes na área educacional diminuiria a pobreza no Brasil? Ou, então, o instrumento utilizado pelo governo para erradicar a pobreza seria o criado pelo ex-presidente Lula, o Bolsa Família? Acreditamos que não, pois este está longe de erradicar ou sequer minimizar a pobreza, servindo apenas para esconder aquilo que ninguém quer ver.

Em meio a essa onda de cortes orçamentários, servidores da rede federal de ensino, no dia 1° de agosto de 2011, deflagraram greve. Entre seus principais objetivos, estão o reajuste salarial de 14,67% e a medida que propõe a destinação de 10% do PIB para a educação pública. No atual contexto da luta sindical dos professores, nos surpreendemos de maneira positiva com o total apoio à greve por parte dos alunos do Instituto Federal Fluminense - campus Cabo Frio, que nos faz acreditar que os jovens brasileiros estão se tornando cada vez menos alienados e mais integrados com as situações sociais do país, fazendo jus ao nosso Hino Nacional quando diz: “verás que um filho teu não foge a luta”.

Porém, no final de setembro, fomos informados de que Guarus, Bom Jesus, Macaé e Itaperuna decidiram-se pelo término da greve em seus campi, embora em Campos dos Goytacazes, Cabo Frio e Quissamã ela tenha sido mantida. A decisão dos campi desertores fez com que nos perguntássemos: primeiro, teria a destinação de 10% do PIB para a educação pública, um dos principais pontos da pauta de reivindicações dos servidores, sido por eles esquecida no momento em que estes saíram da greve, acenando pela assinatura do acordo com o governo? Após tanto tempo de greve, por que estes campi decidiriam voltar às atividades ao terem conseguido apenas 4% de ajuste salarial, um “ganho”, assim mesmo, ainda não garantido, uma vez que só seria obtido se toda a categoria, a nível nacional, resolvesse sair? Seria justo com os outros campi e Institutos encerrar a greve a nível local sem se ter alcançado nem um terço das reivindicações propostas, deixando o resto do movimento ainda mais vulnerável?

Em meio a este cenário, no dia 7 de outubro fomos surpreendentemente informados de que o campus Centro do Instituto Federal Fluminense, localizado em Campos dos Goytacazes, resolveu também dar término à greve, acompanhando os demais campi. O movimento, que já estava frágil, se tornou ainda mais enfraquecido. Mobilizar a sociedade é primordial para o sucesso de uma greve, especialmente no caso de uma de tal porte, porém o mais provável é que a desmobilização, fenômeno decorrente desde o início deste movimento e que vem incomodando a todos nós, alunos, se agrave ainda mais com a saída do campus Centro. Torna-se claro que ela representa uma diminuição significativa da força do movimento grevista na região, este que já vinha fraco principalmente devido à falta de consenso entre os próprios campi do Instituto quanto aos assuntos relativos à greve.

No dia 10 de outubro, contrariando todas as expectativas, o campus Cabo Frio decide manter-se em greve mesmo sem o apoio do campus Centro. Concordamos que a causa da permanência, em si, é um sinônimo de luta, contudo a situação em que se encontra a greve tem sido sinônimo claro de decadência. Caberá ao campus Cabo Frio, único do estado do Rio de Janeiro a permanecer em greve, buscar condições para fortalecer um movimento que se mostra, até agora, deploravelmente fraco.

Ainda que soe clichê, a frase “a união faz a força” mostra-se primordial nesta situação. Afinal, os benefícios gerados por tamanhos esforços dos servidores de todo o Brasil beneficiarão a educação pública de maneira geral, e não apenas os alunos e servidores da rede federal de ensino técnico-profissionalizante. O que não podemos é nos contentar com propostas diminuídas como a dos 4% de ajuste salarial, verdadeira “peneira pra cobrir o sol”, que nos foi dada apenas para fim de desmobilização e não mudará em nada o status quo do país. Precisamos fazer com que, no mínimo, 10% do PIB seja destinado à educação pública, bandeira a ser levantada por todos aqueles que desejem mudanças efetivas nos rumos do Brasil. Queremos mudanças que verdadeiramente surtam efeito na melhoria e democratização da educação pública, e se tivermos que lutar cada vez mais para haver tais mudanças, sem dúvidas lutaremos.

A questão que fica em aberto é: o que conseguiremos sozinhos?

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*Autor desconhecido

5 comentários:

Vinícius Santos disse...

A fatia do Orçamento da União destinada ao Congresso Nacional (R$ 6,1
bilhões) chega perto de equivaler à soma do Orçamento destinado ao
Legislativo em todos os estados e capitais do país (R$ 6,4 bilhões).

Vinícius Santos disse...

se cada orçamento doar 25%....mas ai é outra história...kkkkkk

Vinícius Santos disse...

Os deputados federais receberão pelo menos 133 mil reais por mês, que podem ser destinados às suas despesas pessoais e/ou manutenção da sua atividade parlamentar (Valores de maio / 2010, fonte: ONG Transparência Brasil, extraído da Revista Superinteressante, edição 281 de Agosto/2010, 46-47):

Salário Mensal: R$ 16.512,09 (AGORA REAJUSTADO PARA 26.723,13);
13º,+ 14º e 15º Salários;
Auxílio Moradia: R$ 3.000,00;
Cota Telefônica: R$ 4.000,00;
Passagens: R$ 9.000,00;
Assinaturas Mensais de Revistas: R$ 1.000,00;
Assistência Médica: R$ 8.000,00;
Verba Indenizatória: R$ 15.000,00;
Verba de Gabinete: R$ 60.000,00.

Vinícius Santos disse...

fonte, ONG Transparência Brasil!

Mostra cmpf disse...

que coisa hem?!

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